Inês Marques Lopes

SDDH GOLD

30 de Setembro, 2018

Não salvei o mundo… mas foi por pouco! A verdade é que a SDDH/AAC acabou por ser o meu melhor mundo, e foi ela que fez de Coimbra para mim aquela Coimbra de que todos sempre falam.


Pequenina, mas cheia de vontade, tal como eu, a ‘secção dos Direitos Humanos’ (como lhe chamavam carinhosamente os preguiçosos da Cultura) tinha todo o potencial para ser uma escola de concretização de sonhos nobres, que tanto muitos de nós procuram quando chegam à faculdade.


Suprimida a ingénua falta de organização, inovação e diversidade, a deslocada sala do quinto piso rapidamente se tornou a minha segunda casa, e lá de cima, todas as quintas-feiras à noite, via o novo jardim do edifício da AAC encher. Quando todos resolvíamos ir para casa, não era só o cartão de sócia e a descida das escadas que me distinguia dos de copo na mão junto dos seguranças, mas também um sentimento de importância altamente egoísta, de quem faz o que gosta da maneira que gosta, ainda para mais de borla. Um privilégio.


Preparem-se aqueles que vêm entusiastas, que muito mato há para desbravar. Junto das ONGs citadinas, nem sempre o estereótipo do estudante ajuda, assim como na Queima nem sempre o Panda chega para dar sentido à nossa existência… mas entre pares tão diferentes de comum intenção partilhada, nasce com sorte uma família, daquelas que fazem das nossas maiores desilusões meras piadas futuras e, dos fracassos, altares para ‘fazer a diferença’.


De coração aberto à academia, os utópicos há muito deixaram de ser as inúteis boas pessoas… e no grupo querem-se humanistas inteligentes, informados, eficazes e humildes, que aos poucos, como sempre na História, alcançam devagar, mas bem. Pequena nas promessas de poder preto e branco e grande no respeito pelos que para si e por si continuam a trabalhar, foi na Secção que desenvolvi método, estratégia e resiliência; onde senti boa-vontade, sacrifício e genuinidade; e de onde, cansada, cheguei a casa de coração inchado.
Direitos ou esquerdos, porque só com humor se leva aos ombros as maiores atrocidades do vizinho, os Humanos passaram a ser a paisagem que Proust falava e os meus olhos, nunca mais os mesmos, o éter alquimista que sempre procurei nesta cidade.


Espero que a Defesa nunca lhe seja retirada, para que aqueles que queiram vir salvar o mundo tenham sempre um lugar onde o tentar… e falhar, mas por pouco!Saudações humanistas e saudosistas de quem foi suprema de brincadeira e companheira de verdade dos mais inteiros estudantes de Coimbra.

- Inês Marques Lopes,
(CCI para quem gosta de rebuçados)